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sexta-feira, 10 de maio de 2019

Este livro é um guia literário para visitar Buenos Aires

Juliana Domingos de Lima 
Nexo, 24 Abr 2019

Guia oferece sete itinerários que indicam locais marcantes para a biografia e a literatura de autores 

A capital argentina é famosa por apresentar a maior quantidade de livrarias por habitante no mundo. Além de uma cidade de leitores, Buenos Aires foi também o endereço de grandes escritores – ou o cenário adotado por eles em seus livros. 

Jorge Luis Borges, Julio Cortázar, Victoria e Silvina Ocampo, Ernesto Sabato, Ricardo Piglia e Alfonsina Storni, entre muitos outros. Com lançamento marcado para 15 de maio de 2019, o guia “Buenos Aires, livro aberto”, de João Correia Filho, pretende fazer jus à história literária da cidade, propondo itinerários inéditos para conhecê-la com base nas vidas e obras de seus escritores. Para o autor, eles são, aliás, “os melhores guias do mundo”. 

“Eu me apoio na sensibilidade de pessoas que realmente conseguiram olhar para a cidade, que refletiram sobre ela a ponto de incluí-la em seus livros”, disse Correia Filho ao Nexo. “Buenos Aires, livro aberto” é o quarto livro de viagem de João Correia Filho, que também é autor de “Lisboa em Pessoa”, vencedor do Prêmio Jabuti na categoria Turismo em 2012, “À luz de Paris” e “São Paulo, literalmente”, todos os três publicados pela editora Leya. 

Financiamento coletivo 
O livro será lançado de forma independente, com uma campanha de financiamento coletivo via Catarse e com apoio à Rede LiteraSampa, formada por bibliotecas comunitárias e escolares de São Paulo e que tem por objetivo fomentar a leitura literária. É possível contribuir com a campanha até 29 de abril de 2019, adquirindo o livro em diferentes pacotes de recompensa, que incluem brindes, exemplares autografados, palestra e workshop com o autor. Durante a pré-venda, cinco por cento do valor arrecadado será destinado às bibliotecas da Rede LiteraSampa. 

Os roteiros

Escrito em primeira pessoa, o que permite digressões do autor e um contato mais direto com o leitor viajante, o guia se divide em sete itinerários. Seis deles tratam de bairros centrais da cidade  – Montserrat, San Nicolás, San Telmo e La Boca, Retiro, Recoleta e Palermo. O sétimo e último trata especificamente de Julio Cortázar e do bairro Agronomía, onde o autor viveu na juventude. 

“No roteiro de Agronomía, parto de um conto importantíssimo de Cortázar, chamado ‘Ônibus’, do livro ‘Bestiário’, em que ele faz uma viagem de ônibus que começa nesse bairro e vai até a Praça San Martín, no bairro do Retiro. Os dois personagens [do conto] pegam o ônibus quase em frente à casa onde morou Cortázar. Refaço esse caminho do conto, mostrando os lugares que ele cita, como o Cemitério da Chacarita”, disse ao Nexo. Palermo é identificado no guia como o “bairro do Borges”, porque foi onde o escritor viveu e pelo fato de sua obra ter muitas referências ao bairro, que, em sua época, era a periferia da capital argentina. 

Por ser de fato um guia, a edição traz mapas – encomendados especialmente para o livro – e serviços dos lugares indicados. Há, ainda, fotografias da cidade produzidas pelo autor e um caderno de anotações que permite ao leitor registrar suas próprias impressões de viagem. A pesquisa de Correia Filho envolveu uma bibliografia de mais de 90 livros, entre obras literárias e biografias, e também trabalho de campo na cidade. Segundo o autor, além de apresentar ligação forte com a literatura, Buenos Aires tem a característica de preservar e valorizar muito a relação com seus escritores. 

“Buenos Aires tem uma série de cafés notáveis, que têm uma importância histórica e cultural para a cidade. Muitos deles são do final do século 19, e estão preservadíssimos. Uma outra grande parte é do início do século 20”, disse Correia Filho ao Nexo. Essa lista de cafés notáveis, que inclui também cafés mais novos, tem mais de 70 estabelecimentos. Em comparação, o jornalista afirmou não ter encontrado praticamente nenhum café literário do século 19 e início do século 20 que tivesse sido preservado em São Paulo, quando fez sua pesquisa para o livro “São Paulo, literalmente”. 

“Para não dizer que não há nenhum, tem o Paribar, atrás da Biblioteca Mário de Andrade, que teve seu auge nos anos 1950, quando era frequentado por Sérgio Milliet, Marcos Rey e outros, ficou fechado e voltou nos anos 2000”, disse o autor.  

“Inaugurado em 1954, o London City é um bar e confeitaria bastante frequentado por portenhos em busca de um lugar calmo em meio ao movimento frenético da Avenida de Mayo e por visitantes atraídos pela relação do estabelecimento com o livro ‘Os prêmios’, lançado por Cortázar em 1960. A trama cortaziana inicia-se num bar do centro da capital, quando um grupo de pessoas comemora a vitória em um prêmio que dava direito a um cruzeiro de navio. 

Em certo momento, o estabelecimento é citado nominalmente: ‘Não era fácil conversar àquela hora em que todo mundo estava com sede e entrava no London sacrificando o último sopro de oxigênio pela duvidosa compensação de um meio litro ou de um Indian Tonic. Já não havia muita diferença entre o bar e a rua; pela Avenida de Mayo subia e descia agora uma multidão com pacotes e jornais e maletas, sobretudo maletas de tantas cores e tamanhos’. 

Sugiro a releitura desse trecho quando você estiver numa das mesas do café.” 
Trecho de ‘Buenos Aires, livro aberto’ João Correia Filho 

Além dos cafés e bares, há outros tipos de atrações literárias em Buenos Aires que estão presentes nos itinerários do livro.  O quarto habitado temporariamente pelo poeta espanhol Federico García Lorca, quando passou seis meses em Buenos Aires nos anos 1930, foi preservado pelo Hotel Castelar. Há, ainda, um edifício cujo projeto foi inspirado pela “Divina Comédia”, de Dante Alighieri, o Palácio Barolo. E há as livrarias, entre as quais estão algumas das mais belas do mundo, como a El Ateneo Grand Splendid, construída dentro de um teatro. 

Por fim, o Parque Lezama, pouco lembrado em roteiros turísticos convencionais, é citado por ser o cenário de uma passagem da obra “Sobre Heróis e Tumbas”, de Ernesto Sabato. Segundo Correia Filho, além de ser bonito, o que o parque passa a ter de interessante com o guia literário “é a visão do Sabato sobre o parque, a história que ele conta, os personagens que visitaram aquele lugar. Os lugares ganham outra dimensão, mais poética, mais profunda” a partir da literatura.



segunda-feira, 30 de maio de 2011

Roteiros - Escudero

Abasto

Mercado Abasto – Hoje um shopping, era um antigo mercado. Arquitetura bem legal, muitas lojas com bons preços e se quiser ver cinema em espanhol, as salas valem a pena.

Museo Casa Carlos Gardel -Jean Jaurés 735, Balvanera (4964 2015 ). Casa onde viveram Carlos Gardel e sua mãe. Bem pequeno e conta um pouco a de Gardel. Seg a sexta das 11 as 18 hs. Sab, dom e fer das 10 as 19 hs. fecha as terças. Entrada: $ 3. Residentes $ 1. Quartas feiras grátis.

No centro

Plaza de Mayo – Casa Rosada, Museu do Cabildo, Catedral Metropolitana e Banco de La Nación Argentina

Casa Rosada – visita, pelo menos por fora, obrigatória para quem vai a Bs. As. a primeira vez. Há visitas guiadas e o que vale a pena mesmo é o subsolo (onde parte pode ser vista também pelo lado de fora pelos fundos), pois tem antigos muros da cidade e como o Rio da Prata chegava até ali.

Museu do Cabildo – repartição espanhola nos tempos coloniais. Houve passou por diversas modificações estruturais desde 1608.

Rua Florida – Ao lado da Catedral, começa a Rua Florida, que vale a pena caminhar por ela até a Plaza San Martin. Ao longo da Florida, já perto da Av Córdoba, há o shopping Galerias Pacífico, antigos prédios revitalizados e transformados num centro de compras. Se for comprar, vale a visita.

Na Av. de Mayo em direção ao Congresso há o famoso Café Tortoni (antigo e bem bacana, mais famoso do que valer a pena sentar). Tem shows de tango a noite com preços justos.

San Telmo

Feira de San Telmo - Domingo a tarde tem a famosa feira de quinquilharias na Plaza do Dorrego. No final da tarde, sempre tem apresentações de tango. A Rua Defensa é fechada para o trânsito e se transforma numa passarela de atrações até a Plaza de Mayo.

Restaurante para comer uma boa carne: El Desnível – Defensa, 855. Um restaurante muito bom pra comer carne argentina de primeira e com preço justo.

La Boca

Caminito - Fica um pouco afastado do centro, mas vale a pena ir, apesar do mal cheiro doRio Riachuelo a sua frente. Muito turistão mesmo. Lá fica a famosa rua com Casas coloridas de latão, conhecido como Caminito, e pessoas dançando tango na rua pra descolar um troco. Abriu um museu recentemente na esquina da rua turística do La Baco, quando fui não estava aberto ainda. Evite andar sozinho no bairro de La Boca fora das redondezas onde ficam as casas coloridas, Caminito, o bairro é meio barra pesada.

Museu PROA Fundacion. Av. Pedro de Mendoza 1929 - La Boca [54-11] 4104 1000. Espaço de arte contemporânea muito interessante. Conferir programação no site. http://www.proa.org/indexEsp.php

Palermo

Malba (Museo Latinoamericano de Buenos Aires) - Av. Figueroa Alcorta 3415. A visita ao Malba já bastaria pela arquitetura, mas o que mais emocionante é ver Abaporu de Tarsila ao vivo e em cores. Muita emoção. Sem desmerecer claro, outros brasileiros como Lygia Clark, Hélio Oiticica e a galera.

Andar por Palermo é sempre legal, ainda mais no verão. Para compras, além das várias lojas, adidas, pulma, nike, há uma papelaria bem legal na Honduras 4945 a: Papelera Palermo http://www.papelerapalermo.com/comollegar.asp, perto da Plaza Cortazar.

A loja de CDs e Livros MILES na Honduras, perto da Papelera Palermo também vale a pena.

A gastronomia rola solta por lá, valem apena:

O La Cabrera, na Rua José Antonio Cabrera 5099, -‎, restaurante disputadíssimo e vale a pena a espera e o prato de Lomo com os acompanhamentos deliciosos. O alho então, nem se fala. Fica lotado. É bom fazer reserva ou chegar antes das 20h30 e ficar na fila de espera das desistências das reservas. Site: parrillalacabrera.com.ar

O Bar 6, Rua Armênia 1676, é muito legal comer um Wok ou o cardápio do dia.

O Bereber, na Armênia 1880 (entre Nicaragua e Costa Rica, não, não é na America Central, são só as ruas de Palermo mesmo) é um restaurante de comida marroquina num ambiente muito agradável e descontraído.

A sorveteria Freddo, também na rua Armênia, (também em vários lugares de Bs. As.) tem um sorvete de uva Malbec que é uma delícia, além dos de doce de leite argentino, claro.

Para los niños: a loja Sopa de Principe é o que há em bonecos, fica na Thames 1719: http://www.sopadeprincipe.com.ar/local.php

Puerto Madero

Vale a pena andar pela área do porto revitalizada, principalmente no entardecer.

El Puente da La Mujer (A Ponte da Mulher) vale a caminhada sobre ela.

O Museu Fortabat, de uma milionária argentina, tem uma bela coleção, do Egito aos dias de hoje. A arquitetura do museu também impressiona. Hotel Faena: uma experiência! http://www.faenahotelanduniverse.com/. Lá se deixam todos os olhos... O restaurante El Bistro, todo branco, é algo incrível. Designed by Philippe Starck.

Recoleta

Cementerio de La Recoleta, Rua Junín 1760, em frente à Praça Intendente Alvear. É um museu a céu aberto com suas muitas esculturas e túmulos de famosos, como claro a Evita Peron.

Museo Nacional de Bellas Artes Av. Del Libertador 1473. Tel: 4803-0802/8814.

Possui muita coisa boa, obras de Greco, Goya, Rodin, Manet, Monet, Van Gogh, Degas, Kandinsky, Picasso, além de arte argentina, claro.

Outros

O Café Havanna tem em vários lugares e, se você não conhece, vale a pena muito comer os alfajores (o mais famosos é de recheio de doce de leite). O café de lá é bom também.

A Sorveteria (Heladería) “Un Altra Volta” na Avenida Santa Fe 1826, tem sorvetes incríveis.

No mesmo quarteirão na Av. Santa Fe você encontra o El Ateneo, uma mega livraria (também em vários lugares de Bs. As.), mas esta é especial porque é no antigo teatro e há um café no antigo palco, com música de piano ao fundo e tudo mais, pelo custo de um café.

Um restaurante de comida Indiana que eu gostei e vale a pena é o Tandoor, fica na Laprida 1293 (esq. Charcas), Barrio Norte. http://www.tandoor.com.ar